eu queria ser a tua veia aorta,
e explodir em ti,
e tirar a tua vida,
e escorrer meu sangue por todo dentro.
e deixar uma mancha vinho, estanque,
dura.
uma casca sob a pele
e tu sem vida
e eu em casca
os dois imóveis:
eu dura casca
tu manchado morto
tua carne apodrecendo
e eu apodrecendo junto
nós dois nos tornando uma só carne podre
e nos desmanchando em nós,
desformes.
somos desformes e estamos mortos.
eu, a mancha vinho dentro do teu peito
apodrecendo e virando uma só matéria com teu coração
e você nada. nada, nada. nada além de um suporte para mim,
eu, a mancha estanque, a casca da ferida.
Por baixo da mancha, a ferida: você.
sou eu às avessas
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