Não jogo as coisas em tuas mãos,
não despejo-as na tua alma,
não esfrego o chão delas para que pises.
Não firo a ti.
Enfio em mim a parte pontiaguda das estrelas,
a ponta agulhada do coração;
lanço a mim no vazio dos céus
e só há queda em mim.
É de vela que tem sido os dias
e a quentura não tem vindo do sol
e o vento já é um sopro longo
interminável
testando a minha audição
pra provar que existo.
Quero que saibas:
Os sapos
respiram pela pele...
e tem de gritar um som esquisito
- todas as noites -
porque são sapos.
Os humanos
respiram pela luz
e tem de lutar contra cegueira
- todos os dias -
porque são tristes.
(Mas a ti não cabe esta parte.
Falo dos hostis:
dos pontiagudos:
de mim.)
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